•abril 15, 2010 • 1 Comentário

Fui à uma assembléia estudantil de minha faculdade e vi apenas um reflexo do que acontece no mundo. Existem muitas opiniões convergentes, mas o fundo de muitas delas é pretensioso, pensado apenas nos próprios interesses. Nessa assembléia, chegamos à uma conclusão comum. A pesar deste resultado, fico me questionando até que ponto somos egoístas e não pensamos o quanto nossas atitudes influenciam a vida de inúmeras outras pessoas. Até que ponto insistimos em algo que é bem unica e exclusivamente nosso “achando” que é o bem de todos? Até que ponto procuramos nosso bem estar e ignoramos o fato de, ao simplesmente procurarmos só isso, fazemos mal a outros? E ai? E de que adianta lutar por uma igualdade quando se sai por ai pedindo dinheiro para um churrasco existindo tantas pessoas que usariam esses 50 ou 60 reais para alimentação? Ou para comprar uma roupa? Quem nós somos? O que somos? Até quando seremos egoístas e hipócritas? Digo isso no plural por que não questiono somente a atitude de muitas pessoas, questiono a minha atitude. Questiono o meu egoísmo.

Tem uma letra que é, de certa forma, clichê, mas acho uma ótima citação.

“Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição

Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

O contexto histórico dessa música era muito específico, mas acho que vale o pensamento. Somos todos iguais, braços dados ou não. Ninguém é mais que quem quer que seja. Enquanto ficarmos todos esperando, nada mudará, nada mudará em minha vida, nada mudará em meu bairro, em minha faculdade… Enquanto não olharmos para o lado, enquanto não dermos os braços para seguir em frente, as coisas permanecerão como estão. Qual será a melhor posição? Eu não sei dizer… Só posso garantir que o egoísmo tende a impedir qualquer transformação.

Shalom.

What I’m fighting for?

•abril 4, 2010 • 6 Comentários

É engraçado como alguns amigos meus fizeram a essa mesma pergunta “what I’m fighting for?”. Perguntei-me isso há alguns instantes e a resposta, na verdade, trouxe algumas lembranças.

Ironicamente, essa pergunta surgiu exatamente na Páscoa, data que lembra a morte e a ressurREIção de Cristo. Pode parecer clichê, mas já houve tanta luta, e a atitude é simplesmente o marasmo, o conformismo, a celebração de algo que deveria incomodar e não fazer aplaudir.

Pelo que luta? Pelo que tenho lutado? Deus me deu tanto, me permitiu passar por tanto e eu continuo parada, assistindo à vida ir. Tenho medo da mudança, mas até quando o terei? Por medo, posso deixar a oportunidade passar. Por medo, posso deixar de ajudar. Por medo, posso deixar de viver coisas incríveis.

Agora, morando sozinha, vejo um pouco melhor “a realidade”. A vida segue quer queira, quer não queira. Ela não espera que eu me levante. E tem tanta gente por ai, sem rumo (como eu já estive), sem certezas (como eu já estive), sem amor.

Cansei dessa apatia, de ser condescendente. Até quando se acomodará diante do que nos incomoda? Até quando deixará o mundo seguir dessa forma? Até quando esperará o outro começar? Por que se a justificativa para essa apatia é “estar esperando o outro se movimentar”, desculpe, mas esperaremos por toda a vida. Alguém precisa começar. Alguém precisa se mexer. Alguém precisa amar! Alguém precisa fazer o serviço sujo. Alguém precisa andar na lama. E se ninguém levantar e eu precisar seguir sozinha, pois bem, comprometo-me a seguir.

Seja VOCÊ a diferença que espera no mundo. Comece VOCÊ a mudança. Levante-se! Saia desse conformismo. Pare de aceitar todas essas porcarias que são impostas. A responsabilidade de não ter iniciado uma mudança na sua vida será única e exclusivamente sua. E mais, enquanto não houver comprometimento, Deus não fará mudanças. Precisa-se permitir, abrir portas e dar o primeiro passo para que Ele faça algo à seguir.

Se pudesse, mudaria daria todos os passos de uma vez, mas não posso. Minhas pernas são muito curtas, minha visão é muito limitada. Preciso dar um passo de cada vez. Disse que é preciso dar o primeiro passo, mas depois disso… É necessário confiar e deixa-Lo guiar, sem pressa. Nada de querer matar cinqüenta leões por dia, um só já é suficiente. Falei disso, de um passo por vez, pois geralmente, quando damos o primeiro passo e sentimos a euforia por tê-lo dado, pela mudança, a vontade é de correr para mudar tudo de uma vez, mas não vale a pena… Depois da euforia, usualmente, vem o cansaço e ai corre-se o riso de desistir de tudo.

Luta pelo que? Acredita em que? Está disposto a se dedicar, realmente, por essa causa? Por que espera-se um sinal para que comece a agir? Vá e faça! Se incomoda, simplesmente faça. Deus nos deu tantas capacidades, por que esperar mais para usa-las? Ele nos amou, não há justificativa plausível para não amar.

Eu quero lutar por isso. Eu creio que o amor pode mover montanhas.

Mais uma vez, a vida não vai esperar. Ela está aí, ao vivo e à cores, sem cortes e sem censura. Há falta, há preconceito, há ira, há perseguição, há apatia, há coisas suficientes para cada um tomar uma atitude e mudar um pouco. Pode não haver reconhecimento, pode não fazer diferença, mas vale muito mais o crescimento por não ter ficado parado do que sentar e esperar a bandeja de ouro chegar à caixa de correio.

Faça diferença. Ame. Corra atrás e lute pelo que acredita! Não espere o dia de ser tarde demais.

What i’m fighting for? Eu quero lutar por amor. Eu quero viver o amor que Ele dedicou à mim, quando deu o Único filho. Eu quero viver e refletir esse amor. Mesmo que eu corra risco. Mesmo que eu não faça diferença. Mesmo que eu sofra (e provavelmente eu vou sofrer). Não estou aqui para me conformar.

E ai, continuará parado?

Shalom.

Aprendendo a viver.

•março 31, 2010 • 2 Comentários
Há pouco mais de um mês, descobri que minha vida mudaria completamente. Além de uma aprovação para o curso desejado desde “conhecida por gente”, me deslocaria mais de mil quilômetros. Mais de mil quilômetros sem quaisquer conhecidos (família, amigos, pessoas da igreja, vizinhos…). Sempre pensei em sair de casa, mas a realidade é bem diferente do pensamento.
Há pouco mais de um mês (coincidentemente ou não), meus defeitos resolveram vir à tona (claro que não criaram vida e começaram a pular bocas à fora, mas a proximidade com o recomeço fez querer mudar tudo o que estivesse ao alcance, e assim, eles foram “perguntados” e ditos). Bom, confesso que não tinha muita estrutura para ouvir os defeitos, e menos ainda para a mudança, mas como diz o título do texto, vou “aprendendo a viver”.
Já escrevi alguns textos falando sobre coisas que passei, mas isso não necessariamente significa que aprendi com elas. Muitas das minhas experiências e muitas das minhas decisões me levaram a posições extremas. Acho que tenho problemas com tudo que é próximo do equilíbrio… Sempre gostei dos “elementos discrepantes”. rs.
Da dependência extrema, eu pulava para o isolamento (quase depressivo) e do isolamento à dependência e assim incontáveis vezes. Um dos meus maiores “males” é a dependência. E o equilíbrio? Procuro por ele todos os dias. Não tem uma receita, acho eu. Vou aprendendo a viver.
Da certeza à dúvida. E da dúvida, à certeza. Tudo incabível. Ambas infundadas. Onde deveria ser dúvida, havia certeza, e para o que seria certo, havia dúvida. Isso é bem comum, mas não é algo ao qual eu queira me acomodar. E como fica? A partir do momento que Deus está realmente no controle e as coisas dão certo (ao meu ponto de vista, à minha percepção de “certo”) é por que algo bom virá disso. Se as coisas não derem certo (novamente, ao meu ponto de vista), e Ele realmente estiver no controle, é por que algo bom também virá disso. Percebi que até de perdas que achei serem insuperáveis, coisas boas vieram. No fim, vou aprendendo a viver.
Não sou sociável, amigável e nem tenho a cara mais simpática do mundo. Inacreditavelmente, já fui o completo oposto ao descrito anteriormente. Agora que convivo com pessoas das quais a minha “mais velha amiga” é alguém que me conhece há três semanas, percebo a necessidade do equilíbrio. “Tolerância é uma palavra que você deverá ter em seu vocabulário sempre.” Essa frase se repete inúmeras vezes em minha mente. Por que tolerar? Bom…estou aprendendo.
Uma coisa que ficou clara para mim, com toda essa mudança, é que muitas vezes fiquei cega por meus anseios. Cega pois acreditei, muitas vezes, que algumas coisas eram confirmadas e desejadas por Deus… Confesso que a maioria delas não era. E quando isso aconteceu, mais especificamente quando essa minha “cegueira” ficou clara, eu fiquei quieta e deixei Deus agir.
Esse texto não é uma lição ou algo que espero que entendam, que leiam…
Me sinto uma criança aprendendo à andar e não acho isso ruim (não mais, mas no começo, achei). Sou privilegiada por poder recomeçar, por poder usar todos os tombos que caí de uma forma boa nessa minha nova fase, nesse meu crescimento.
A vida tem me ensinado muitas coisas. Tenho aprendido a ouvir o que ela e Ele tem à me dizer. Vi irem a maioria das pessoas das quais dependi, mas vejo isso como páginas que estão sendo viradas, como feridas sendo tratadas.
Ainda tenho muito à mudar, muito à aprender, muito à cair e à levantar, mas quero me manter assim aberta à tudo o que vier.
Sigo aprendendo a viver.
Shalom.

•fevereiro 12, 2010 • Deixe um comentário

Um post de um grande amigo.

O endereço é esse .

Eu quero morrer.

•janeiro 15, 2010 • 2 Comentários

“Eu quero morrer”, quantas vezes eu disse essa frase. Quantas vezes planejei efetivar essa ação. Quantas cartas de despedida escrevi. Quantos momentos ponderei qual seria a morte mais dolorosa, a mais rápida, a mais fácil. Perdi as contas de quantas. Perdi as contas dos momentos sem conseguir sair da cama. Pode parecer exagero, mas só quem sente a dor emocional tão grande que destrói a sua força física, sabe o quão pesada e devastadora ela pode ser.

Durante muito tempo e em inúmeros momentos planejei realmente a minha morte. Nunca cheguei perto de finalizar. Passei a ver esse desejo de várias formas. No meu caso, já foi uma vontade profunda de culpar o mundo por algo que acontecia dentro de mim, já foi uma falta de visão, falta da sensação de “amor”, já foi medo por uma perda, medo pelo futuro… Um matiz indescritível de motivos que justificariam o ato para mim, mas não o justificariam para outros.

Hoje, tenho liberdade com muitas pessoas do meu círculo de convivência, e isso me fez des-cobrir muitas coisas. Des-cobrir, pois não só coisas novas apareceram, mas coisas que me tinham uma aparência mostraram-se, nitidamente, outras. Sempre me senti rejeitada, à margem, menos amada, a esquisita, a excluída e etc. Conversando com essas pessoas, vi que, em grande parte, essa sensação de rejeição era uma sensação minha (diria “não muito coerente”). Em um momento de expor situações e fatos, ficaram claras muitas demonstrações de afeto (e uma grande chatice da minha parte – o que é suficiente para afastar algumas pessoas). Independente de rejeições, essas não justificariam um suicídio, não a meu ver (hoje).

Confesso ter mentido demais, falado demais, vivido extremos demais, (muitos “de-mais”), e nesses momentos de extremos, os “eu quero morrer” também eram “demais”. Na minha busca incansável por justificativas, motivos, por aceitações, realizações, palavras, momentos, satisfações, afetos, uma frustração enorme aparecia. E não só pelos extremos ou pelas instabilidades ou quaisquer outras coisas, mas por que NADA era suficiente. Não tinham amigos suficientes, companhias suficientes, tempo suficiente, amor suficiente, cerveja suficiente, eu suficiente. Não tinha EU suficiente para suprir. Não restava eu, nem ao menos eu. E ai, o momento de me encontrar era no egoísmo profundo dos “eu quero morrer” (Egoísmo profundo, novamente ao meu ver).

Acho que muitos já pararam para pensar “como as pessoas ficariam se eu morresse?”. Como já disse, quantas vezes pensei nisso (também). E era uma cena boa de se ver: pessoas reunidas por minha causa, sentindo minha falta, lembrando de momentos bons…mas e se não fosse assim? E se não houvesse alguém para lembrar? O sofrimento gerado por isso era incomparável, e hoje é minha força. Se acho que ninguém se importaria, recobrem-me forças, por que mesmo que não chorem, quero fazer diferença, quero que ao menos meus pais tenham bons motivos para lembrar de mim. Não existe alguém desamparado, todos têm alguém ao lado, as pessoas só não estão a par disso. E digo isso por que muitos suicídios são “provocados” pela solidão. Muitos dos meus planos foram baseados nisso. Mas eu não estava sozinha, nunca estive. E não digo isso como um conselho de “auto-ajuda”, sim como uma verdade que encontrei nos piores instantes.

Alguém me disse e insistiu muito para me mostrar que somos movidos por relacionamentos. A pesar de todos os problemas, PRECISAMOS de pessoas. Os relacionamentos são nossa base, nossa sustentação. Não existe alguém suficientemente bom para viver completamente sozinho. E se consegue o fazer, geralmente não tem “vida longa”.

Eu preciso insistir: SE IMPORTE. Não digo isso só como alguém que já precisou de atenção, também como alguém que já se importou (e a gratificação por isso é incomparável). Falhei muitas vezes, sim… Entretanto pretendo, pelo menos, ajudar a entender que as pessoas não estão sozinhas. Realmente se importe, não deixe para outro abraçar, pois outro pode não chegar, e o abraço que alguém precisava não foi dado, o carinho necessitado não aconteceu. Geralmente as pessoas não querem muito mais que um bom ombro amigo, um carinho. AME. O amor move montanhas, move os amados, move os que amam…

A dor emocional que destrói a força física é terrível, sentir-se rejeitado é terrível, buscar extremos é terrível, não se encaixar é terrível, perder alguém é terrível, descobrir determinadas coisas é terrível, mas todos esses “terríveis” podem não ser “destrutíveis”. Uma companhia ajuda a passar por isso. O amor ajuda a passar por isso.

Encontrei várias companhias, desde estranhos que conheci aleatoriamente na rua, a meus pais. Muitos têm me ajudado a enfrentar esses “terríveis”. Mas eu tive que buscar… Tive que pedir ajuda, tive que aceitar que não viveria sozinha. Incrivelmente, também tive que me doar, tive que amar. E em todas essas idas e vindas, com companhias, sendo ajudada e ajudando… Descobri que, realmente, o único que sempre estará ao meu lado é Deus. Pode soar clichê, mas Ele é a melhor companhia. E quando eu comecei a contar com isso, confiar nisso e me dedicar a isso, até os outros relacionamentos tornaram-se mais fáceis. Sempre digo que não parei de sentir dor, não parei de sofrer, mas Ele é uma “melhor companhia” incrível, Ele ajuda a passar pelas situações como ninguém. Escolhê-Lo como “melhor companhia” não é simples, mas é para sempre.
Cabe a cada um optar.

Au revoir.
God bless you.

E os sorrisos?

•novembro 25, 2009 • 7 Comentários

Ontem, fui olhar umas fotos que passaram para o computador e me deparei com uma coisa não vista há muito tempo. Sorrisos sinceros. Encontrei aquele pedaço de mim que todos perguntam onde fora parar: “Ci, você era tão sorridente…”. E a minha resposta sempre era uma risadinha sem graça e depois, ignorava o fato. Olhando as fotos (diferentes das que eu sempre olho em casa) o comentário soou diferente e vi como aqueles sorrisos fazem falta (ou, simplesmente, aquela situação). Feliz ou infelizmente, sinto falta de quando todos tinham pouco. A felicidade naquelas fotos é contagiante e instigante, por que muitos ali não tinham tantos motivos para sorrir (acho que nunca vi tanta felicidade em tão pouco espaço).

Mais uma vez me questiono: até que ponto isso é necessário? Até que ponto a busca pelo “ter” é uma simples “melhoria da qualidade de vida”? Sensato ou não, creio que a qualidade de vida daquelas pessoas era uma das melhores (dizem que sorrisos curam doenças, melhoram a vida…). É engraçado por ver, hoje, aquelas pessoas que eram felizes no pouco, dependendo tanto do material, frustrando-se com coisas tão… pequenas. Ali eram todos um. Dizem que “a união faz a força” e pelo que bem lembro, realmente fazia.

Para que essa busca incansável por algo que vai ficar? Quem disse que todos precisam disso ou daquilo? Quem disse que você precisa de uma casa no melhor condomínio da cidade? Ou estudar no colégio mais caro? Ou ganhar o tênis da moda? Ou comprar aquela roupa? Ou aquele carro? A necessidade real foge tanto da idéia de necessidade imposta hoje em dia. Somos “engolidos” o tempo todo por mensagens de “Compre”, “Beba”, “Faça”, “Vá”, “Tenha”, como se subentendida nessas palavras estivesse a frase “Você precisa disso”. Alguém já parou para se perguntar se realmente PRECISA? Um professor meu disse uma vez que as pessoas adaptam o salário aos gastos, e não os gastos ao salário. É exatamente isso, quanto mais se QUER algo, mais trabalha para ter. Assim, passa-se menos tempo com os filhos, com a esposa, fica mais irritadiço… Sabe quando ficará feliz com algo que comprar? NUNCA. (Digo isso por experiência própria). Vai comprar aquilo que quer agora, e logo mais quererá outras coisas e trabalhará mais para comprá-las e depois mais, e mais, e mais e mais… Coloco em cheque todos os gastos extras que não são realmente NECESSÁRIOS… Onde foi parar a união? E pergunto isso em relação à maioria das famílias. Onde foi parar o conceito real de família? O que é FAMÍLIA hoje? Não sei mais se fingimos viver bem, se vivemos bem, se nos acostumamos com as coisas, se essa é a realidade que queríamos; se, ao menos, isso é realidade…

Voltando às fotos e aos sorrisos. Não questiono os momentos de dor, por saber que estão na dor e na fraqueza os momentos mais fortes, mas questiono a busca incansável por uma “necessidade” desnecessária. Será que precisamos mesmo de tanto? Será que eu preciso de tanto? Acho que preciso muito mais confiar em Deus e da paz d’Ele do que da maioria das outras coisas. O ter, o comprar e o poder são “agradáveis”, mas sinto-me mais feliz com os sorrisos singelos, muitas vezes incabíveis, mas reais. Eu sinto muito mais amor em um sorriso, em um abraço, em um dia ao lado que em um presente, em um almoço caro ou em algo “comprável”.

Algumas vezes, as coisas tomam proporções inimagináveis e só queremos voltar no tempo e acertar tudo o que fizemos. Se eu pudesse colocaria na cabeça de muitas pessoas que o necessário é bem diferente daquilo que se quer, e que a felicidade verdadeira não está no comprar. O que mais me dói é ver a frustração das pessoas por não poder ter, por não poder comprar… Onde foram parar os valores para família, para amor, para amigos…? Onde foi parar a simplicidade e a união…? Para onde foram as pessoas que realmente amavam, que não só queriam ou “precisavam”? Onde estão as pessoas que faziam sem esperar algo em troca, que se doavam sem querer algo, que estavam por perto simplesmente por estar?

Coloca-se o TER acima de Deus! Busca-se algo no palpável e Deus vai para segundo, terceiro, quarto,… Último plano! E até que ponto isso vai? Até quando vamos buscar a felicidade em algo que não nos trará felicidade (não a verdadeira felicidade)? Até quando eu buscarei sorrisos em algo que não me trará sorrisos sinceros? Até quando as pessoas vão ignorar o fato de terem se confundido o precisar e o querer? O que é necessário é bem menor do que aquilo que é desejado. A felicidade não estará no que comprar ou no que tiver. A felicidade (e aqueles sorrisos das fotos) só será encontrada quando você e eu entregarmos e confiarmos realmente em Deus; quando vivermos com o que Ele quer e não com o que você ou eu queremos; quando entendermos que as coisas são tão mais simples, que nós só complicamos.

As coisas mudaram muito. Peço para Deus (re)mudá-las, da maneira d’Ele… Por que, um dia, quero sorrir exatamente como sorria naquelas fotos.

Au revoir.

P.S.: Só para constar, do Houaiss:

Precisar:
1 Ter necessidade (de); carecer, necessitar
Necessário:
1 Absolutamente preciso; essencial, indispensável
2 Que se não pode evitar; imprescindível, inevitável
Querer:
1 Ter o desejo ou a intenção de; tencionar, projetar
2 Desejar que (alguém) esteja ou desejar estar em determinada situação, posição, estado etc.
3 Desejar com especial interesse; aspirar, pretender
3.1 Aspirar ou desejar adquirir ou possuir
4 Fazer tenção de; ensaiar, tentar, procurar
5 Ter em mente (como objetivo) quanto a; pretender, desejar

Quem disse que seria fácil?

•outubro 12, 2009 • 11 Comentários

Sempre tive uma idéia errada e de certa forma, deturpada, do que seria viver em Deus. Quando comecei a frequentar a igreja, achava que a vida seria linda, azul e que tudo viria à mim em uma bandeja de ouro.
O começo da minha vida de “idas à igreja” foi assim: eu tinha muitos ao meu redor, todos dedicavam tempo, atenção, palavras, carinho, paciência (e que paciência). Eu focava/vivia nisso, aumentava histórias, contava mentiras, só para garantir aquela atenção enorme, para mantê-las por perto. Minha vida (de)pendia disso, da atenção recebida. Então, pela primeira vez senti que a vida não é fácil, que certas coisas acontecem, nosso castelo de cartas caí, e só assim, no chão (ou sem ele), que aprendemos. As pessoas das quais eu (de)pendia foram embora. Em questão de um mês, vi a maioria delas irem. Fiquei sem chão. Voltei a busca incansável por alguém para servir-me de suporte. Encontrei novamente. (De)pendi novamente. E pela segunda vez, senti que a vida não é fácil.
Sem explicação ou justificativa, algo que eu escondia há anos veio à tona: a atração por pessoas do mesmo sexo. Pareceu aumentar, bater mais forte no peito e doer mais. Eu queria pedir ajuda, mas tinha vergonha. Encontrei uma pessoa e, sabe-se lá por que, ela me ouviu e passou a me ajudar incomparávelmente. Adivinha?! Passei a viver em função dela. Depois de seis meses, em uma infeliz análise, cheguei à uma das piores conclusões da minha vida: eu estava apaixonada. Apaixonada pela pessoa que se dispôs a ajudar, a dar a mão e a falar de Deus para mim. Mais uma vez, vi que a vida não é fácil. Afastei-me por umas semanas, mas a (de)pendencia não permitiu a distância. Contei. Confessei a paixão e apartir daí, as coisas só pioraram. Os meses seguintes foram o princípio de uma vida que eu não imaginei viver. Haviam pessoas por perto, mas eu não poderia contar a paixão por alguém casado e do mesmo sexo. Eu não poderia contar que olhava para casais homosexuais e ficava com inveja, por sentir que nunca seria feliz como eles. As coisas só aumentavam e me assustavam mais, tomaram proporções inimaginaveis. Alguns meses depois da confissão, a vida afastou, também, a pessoa que estivera mais presente. E afastou aquelas que estavam “meio-presentes”. Fiquei só. A partir daí, sem alguém para ser meu chão, cai de para-quedas em uma realidade chocante, não-vivida até então. Novamente, vi que a vida não é fácil.
Passei a viver uma personagem e a alimentar todos os meus desejos. Entrei em comunidades e conheci pessoas. Conversei e expus tudo o que confinei no tempo que correu. Manifestei aquilo que achei ser “o fogo que me alimentava”. Gritei aos quatro ventos: “SOU HOMOSEXUAL! Nunca mais ficarei com um homem!” E, na época, me senti inacreditávelmente bem com isso. Senti-me livre, realmente vivendo o que sempre sonhei. Fiquei com várias mulheres. Três delas ficaram mais marcadas. Ao lado de uma delas, cri viver os melhores dias da minha vida (até então). Mas, como outrora, vi que a vida não é fácil. Começou a faltar-me algo. Naquela vida perfeita, na qual eu tinha mulher, era muito bem aceita, era amada, frequentava lugares extremamente agradáveis, senti falta de algo. Um vazio no peito. Um gosto estranho, como se, ao mesmo tempo que aquela vida era perfeita e aparentava ser doce, era extremamente amarga. Tudo deveria deixar feliz, mas não deixava. Eu procurava um pouco de paz, mas não achava.
A vida não é fácil, mas é surpreendente. Aquela pessoa que me ajudou, aquela pela qual fui apaixonada e que, diga-se de passagem, eu não queria ver NEM pintada de ouro, reapareceu. E como um tapa na cara, ela voltou a conversar, perguntar e lutar ao meu lado. Em um momento de choque de realidades e ao perceber que a felicidade verdadeira não estaria ali, ao lado de mulheres, confessei querer sentir à Deus. Foram alguns meses levando a situação com a barriga. Vivi naquele mundo “perfeito” e tentei me reaproximar de Deus. Mas, um dia, percebi que dali pra frente seria menos fácil do que eu imaginei. Teria que decidir. Foi a decisão mais difícil da minha vida: abrir mão daquela realidade “perfeita”, acolhedora, de um lugar onde eu tinha certeza ser amada, por um futuro inesperado, pelo desconhecido e por uma felicidade que eu ouvia ser real, mas nunca sentira. Eu teria que abrir mão das minhas mentiras, do meu prazer, para viver exatamente o oposto.
Escolhi.
Pela primeira vez, decidi. A única pessoa que tinha todos os motivos para não estar ao meu lado, foi a que chorou ali, a que sentiu e viveu todos os momentos.
Achei que, por ser a decisão certa, seria fácil. A decisão foi difícil, mas achei que as dificuldades acabariam por ali. Idéia deturpada, como eu disse. A dor por ter aberto mão da “vida perfeita” foi enorme. Aquela pessoa ficou ao meu lado no começo. Manteve-se extremamente presente mas quando comecei a depender demais, a vida a afastou. Ficou nítido, ali, que a vida nunca mais seria fácil. Foi instantâneo, ela saiu de perto e tudo voltou. A mulher que eu tinha como “sonho de consumo” começou a me dar bola, as pessoas voltaram, estava tudo ali, na bandeija de ouro. Aquele passado batia à porta. Em um mês, eu já estava à beira do precipício. Não fiz grandes escolhas, só entrei em um site, lí um livro e me apressei para ir à igreja. Sem que eu percebesse, afastei-me um pouco da beira do precipício. E, aos poucos, fui me afastando cada vez mais.
As dores não diminuíram, muito pelo contrário. Conforme Deus vai moldando, parece doer mais. Tive que abrir mão das mentiras, que me prendiam incomparávelmente; tive que me afastar de pessoas, cortar certas relações, deixar de frequentar determinados lugares. Mas, finalmente, tenho felicidade e paz. O incrível é que, mesmo com dificuldades e dores, a felicidade mantém-se. A paz de estar em Deus é inexplicável e por mais dores que eu passe, por mais que eu ache, algumas vezes, que não dá para sobreviver, a paz reaparece inexplicavelmente.
Muitas pessoas não viveram a recompensa na terra por suas atitudes, por suas escolhas e dificuldades. A paz verdadeira, o dia de estar realmente tranquilo não é aqui, não está aqui e, muito provavelmente, não estará…não espere viver em um mundo cor-de-rosa por que a verdadeira recompensa por tudo o que plantamos não está aqui.
Nesses meus 19 anos de vida, procurei uma felicidade palpável, uma paz plausível ou justificável, procurei vida e felicidade em coisas, pessoas… Hoje vejo que a justificativa para a felicidade é uma só: Deus. Sou feliz, hoje, como nunca fui. Amo como nunca amei. Vivo como nunca vivi. Não sei o que virá. Não sei se vou morrer amanhã ou não. Sei que tenho paz por tentar viver em Deus o tempo todo. Sei que, não importa o que aconteça, Ele estará ao meu lado e  isso me basta.
Deus ama a todos e dá oportunidade a todos, basta você escolher: Ele ou você.

Au revoir.

God bless ya.

Pessoas que queríamos que fossem para sempre.

•setembro 27, 2009 • 1 Comentário

Essa semana, pensei e pesei muitas coisas. Garanto que, inevitavelmente, muitas eram inúteis e fúteis, mas hoje, depois de uma conversa extremamente sincera, cheguei a algumas boas conclusões quanto a tudo o que aconteceu (e quanto a tudo que quero daqui para frente).
Há algum tempo, venho avaliando tudo o que tem acontecido em minha vida. Volto ao que disse uns tempos atrás: “Somos nossos maiores inimigos”. Definitivamente o somos. É incrível o quanto pedimos direções e respostas para Deus e como somos incapazes de vê-las quando Ele nos dá. Pior ainda, é incrível como somos capazes de esquecer as direções e as respostas. Digo isso por mim. Re-pedi direções, re-pedi respostas dadas por Deus há tempo e que, por pensamentos idiotas meus, esqueci (ou coloquei de lado, simplesmente por ser o mais cabível no momento). Algumas vezes, Deus nos direciona com “setas de neon piscantes” e fechamos os olhos para o que Ele está nos mostrando, muitas vezes, perdendo “o bonde”. Cabe aqui dizer que, muitas vezes, Deus nos dá A OPORTUNIDADE e não vemos. Mais uma vez, digo isso por mim.
Uma das coisas que muito me chocaram essa semana foi o fato de focarmos tanto no nosso umbigo que não percebemos o quanto as pessoas fazem por nós e, conseqüentemente, o quanto nos amam. Foco tanto no que quero, no que acho bom para mim, que não vejo que a pessoa está dando o máximo dela para me ver feliz e me fazer bem. Uma amiga me disse: “Às vezes, o meu tudo é nada para você” e isso acaba ferindo e minando relacionamentos. O amor não está no quando se acha ou se vê amado e sim no quanto o outro ama (ou se esforça para nos mostrar esse sentimento) . Não dá para comparar ou medir amor. A pessoa dá a vida e não vemos! A pessoa faz algo ENORME (para ela) e por não suprir nossa necessidade de amor, por não ser a demonstração que queremos ou da forma que queremos, não achamos suficiente (não vemos o amor naquele momento ou naquele ato). Com Deus é a mesma história: Ele nos demonstra seu amor todos os dias. Todos os dias, o fato de eu acordar é uma demonstração de amor; o fato de eu ter amigos, é uma demonstração de amor; o fato de eu ir à cozinha e ter o que comer, é uma demonstração de amor; o fato de eu ter pais é uma demonstração de amor… Todos os dias e em todos os momentos tenho demonstrações do amor de Deus, e não vejo (ou não valorizo)! O amor é algo tão lindo e não precisa ser algo estrondoso. O amor é um sentimento perceptível em coisas tão simples, mas queremos o amor igual de todos e para todos. Da mesma forma que pessoas são únicas, as formas de demonstrar amor também são. Frustrou-me o fato de perceber que as pessoas demonstram, sim, amor por mim, mas, da mesma forma que não percebo as demonstrações do amor de Deus, não percebo as demonstrações de amor das pessoas. O amor não é da forma que EU quero, e sim da forma que as pessoas o demonstram. Dar valor às demonstrações de amor, talvez, seja a maior demonstração de amor.
Outra coisa que me chocou foi o fato de sermos tão egoístas. Até nas pequenas coisas, nosso egoísmo (meu egoísmo) é mais forte. Nos “eu te amo”s, sempre espero algo em troca. Nas coisas que faço em casa, sempre espero algo em troca. No que penso fazer para Deus, sempre espero algo em troca, mas não pode ser assim. O egoísmo não é necessariamente algo chocante ou perceptível. Meu egoísmo, muitas vezes, é por medo de lidar com pessoas ou de ter que me esforçar para manter algum relacionamento, por querer tudo à minha maneira, da forma que ME agrade ou que seja mais cabível a mim. Todas as vezes que coloco o “EU” como prioridade, brigas ocorrem, pessoas se afastam… E essas são coisas que só Deus para ajudar a mudar.
Depois de ouvir “É, quase morri ontem” e de descobrir que isso não foi uma hipérbole, vi que a vida passa e que Deus tem dado oportunidades e não tenho respondido (ou correspondido). Todos os dias, tenho chances de fazer algo mínimo, mas importante. Essa semana, “resolvi” ungir meu quarto. Deus incomodou bastante meu coração e resolvi obedecer. No primeiro dia, senti completamente estranho, mas fiz. Nos outros dias, pareceu um pouco melhor, mas aquela sensação de “por que será que tô fazendo isso?!” continuou. Um amigo veio me visitar hoje. Confesso que nos últimos encontros, nossas conversas não eram das mais “úteis” e nem das mais focadas. Ele chegou e sentou com meus pais para conversar na sala. Depois de algum tempo de conversa, viemos para o quarto e, imperceptivelmente, começamos a contar os “causos” e tudo começou a direcionar para Deus. Algum tempo de conversa e ele disse: “Toda essa conversa, todos esses tapas na cara, foram por que você ungiu seu quarto”. Deus nos manda fazer coisas mínimas e por serem mínimas, ignoramos, mas nem imaginamos o que Ele pode fazer com essas coisas. Poderia ficar dias aqui contando histórias de coisas que fizeram e fazem uma diferença monstruosa na minha vida, mas a verdadeira questão é darmos ouvidos ao que Deus tenta nos dizer todos os dias. É difícil manter contato com Deus, várias coisas existem para tirar o foco, mas torna-se um costume quando nos esforçamos para dar o primeiro passo. Tente exercitar: bateu um medo, um desespero por alguma coisa, antes de falar com qualquer pessoa, ore! Deus está sempre ao nosso lado, é só conversar. Tem uma tentação, algo que aperta seu coração, olhe para Deus, peça força! Algo deu certo, você conseguiu algo desejado, agradeça! Comemore com Deus. Pode ter certeza que Ele adoraria comemorar QUALQUER vitória sua, até por que, a vitória é d’Ele. Só vencemos quando Ele permite. E se não conseguiu algo, chore para Ele, peça paz para Ele. Deus honra quando pedimos com fé.
Aprendi que Deus usa as dores, usa os tombos, usa as falhas e faltas para abençoar outros. Usa, inclusive, para facilitar ou nos ajudar em algo que acontecerá no futuro.

O que sou, o que pretendo ser, as coisas pelas quais passei, os meus planos para o futuro, meus sonhos, minhas decisões, e todas as outras coisas que acontecem na minha vida são influenciadas pelas pessoas ao meu redor e por meu relacionamento com elas. Eu as amo e preciso aprender a aceitar o amor delas, preciso entender que são únicas e que cada um ama de um jeito e isso me torna uma pessoa completa, essas várias formas de amor me tornam uma pessoa completa.
O foco no amor de Deus e em um relacionamento real e sincero com Ele muda tudo nas nossas vidas. O amor verdadeiro muda tudo. Preciso colocar esse amor em prática.
Alguém mais quer?

Au revoir.
Godblessya.

Pais e filhos.

•agosto 29, 2009 • 1 Comentário

Algumas pessoas pensam ser tão simples ter um filho, “Ah, é só ter dinheiro para dar uma boa educação e uma boa qualidade de vida“…Diante de tantas coisas, vejo claramente que é muito mais que isso. Penso, também, que os pais que aparentam ser ‘os melhores’ nem sempre são (as vezes, estão na média ou consideravelmente abaixo disso). Mas também, muitos que reclamam dos pais (e que acham os do outro melhores) nunca pararam para analisar profundamente ou apenas para olhar os próprios como ‘seres humanos’ (não como ‘super heróis’). Pais são seres falhos, são de carne-e-osso, tanto quanto os filhos. Sentem dor, tem fraquezas, medos. Now a days,  vejo ‘os pais’ (principalmente os meus) com um olhar diferente. Eles também dão passos em falso, também caem. “Quando você for pai (ou mãe) você vai entender”, engraçado como isso soa estranho e pode dar até raiva. Hoje, aceito muitas coisas por não achá-los errados, por ver que é apenas a forma deles de ver e, talvez, seja a forma certa mas isso não será perceptível no ‘calor do momento’. As vezes, os pais aparentam nunca terem vivido ‘apenas’ como filhos e isso parece absurdo, porque eles não nasceram pais, mas ao mesmo tempo que acho questionável, entendo essa situação. A maioria dos pais tem medo de os filhos errarem da mesma forma que eles, pais, erraram. Só que, da mesma forma que aprenderam quebrando a cara, alguns filhos precisam quebrar a cara para aprender.
Sinto, frente a determinados fatos, uma profunda dor pela inutilidade ou pela falta de capacidade de mudá-los. Isso é por ver como alguns pais não dão ouvidos aos filhos, nas vezes que os filhos estão certos. No filme “28 dias”, com a Sandra Bullock, a cena da mãe bêbada brincando com as filhas, muito me choca. O mais doloroso é como isso afeta a vida da filha e afasta uma filha da outra. Quantos pais alcoólatras existem no mundo? E não me refiro apenas aos pais que batem nos filhos, que agridem mulheres ou que saem por ai fazendo bagunça, mas também aos pais silenciosos, que mantém o vício de forma “branda” (sim, entre aspas por que um vício nunca é brando), ou que, como a mãe do filme, ficam bêbados, brincam com os filhos e depois, deixam um fardo pra vida toda… Tem certas atitudes que afetam os filhos em um nível além do imaginável. O que é engraçado uma, duas ou três vezes, torna-se doloroso, cansativo e desgastante ao virar, de certa forma, uma rotina. As vezes, dói muito mais ver algo acontecer com nossos pais, que acontecer conosco. Só quem já passou por isso sabe o quanto dói ver um pai ou uma mãe bêbados, vomitando e quase sem sentindo algum. Quando isso vira rotina…parece arrancar um pedaço, toda vez que acontece. Parece ser um fardo nosso. Parece que nunca vai acabar. Dói ver que, em alguns casos, os outros acham engraçado, riem das piadas idiotas, dos tombos, agem como se aquilo fosse completamente normal. Dói e dá raiva, as vezes por vergonha, as vezes… por termos medo de onde esses tombos ou piadas podem acabar. Dói quando dizemos: “Mãe (ou pai), pára…você já bebeu demais” e não somos levados a sério. Dói pensar que, no fundo, eles sabem o quanto aquilo nos frustra, mas ignoram ou colocam esse ‘saber’ de lado, escondem em algum lugar inalcançável, bem no fundo do inconsiente deles. Chega uma hora que cansamos de lutar…só assistimos aos ‘porres’ em silêncio…e é quando essa hora chega que mais somos afetados pelas atitudes dos pais. Quando nos calamos é quando mais sofremos.
Alguns pais buscam no alcoól (e em outras coisas) a fuga para aquela realidade na qual vivem. E ai volto ao fato de dinheiro não ser a única necessidade e/ou ‘exigencia’ para se ter um filho. O único refúgio para uma realidade dolorosa ou desagradável é Deus. Só em Deus os pais alcoólatras, drogados, workaholics, encontrarão paz. Só com Deus, e quando digo COM DEUS, digo vivendo e dependendo completamente d’Ele, será possível dar uma criação legal para os filhos. E, filhos, só com Deus, também, vocês encontrarão paz. Não adianta querer resolver os problemas do mundo, porque não está ao nosso alcance (digo isso por e para mim). Cabe a nós filhos e/ou pais, confiar e esperar em Deus, por que a paz verdadeira está n’Ele…e o melhor só virá com Ele…mesmo que não venha agora, garanto que a longo prazo (ou eterno prazo) o melhor virá.

Au revoir.

•agosto 11, 2009 • 2 Comentários

Desabafos incabíveis IV.

Tem dias que me sinto, simplesmente, morrendo um pouco mais. Noutros, sinto-me morta, como se restasse apenas aquilo que vê.
Tem dias que espero, somente, acabar o dia. Que queria esquecer, ou então, não ser.
Tem dias que queria correr, que queria entender o por que desse vazio no peito ou dessa falta de fé.
Tem dias que reviveria a menina de outrora, para apenas mostrá-la o quão linda é.
Tem dias que cantaria palavras nunca ditas, ou que nunca pretendi dizer, com a méra intenção de aliviar o que me destruiria.
Tem dias que esqueceria nomes, números e telefones, e lembraria apenas do amor que sinto.
Tem dias que dedicaria apenas a Ele, por pura felicidade e para pesar menos o que não dediquei noutros dias.
Tem dias que sentaria num barco e me deixaria levar, só para não enfrentar o que tenho medo de colocar.
Tem dias que mentiria todas as verdades escritas, fazendo-lhes sorrir com o que nunca seria riso.
Tem dias que mataria todos que ‘egoísticamente’ fazem sofrer. Para, talvez sim ou não, permitir alguém mais viver.
Tem dias que choraria. Que esconderia. Que morreria. Sem que hajam causas ou explicações para isso.
Tem dias que não escolheria.
Tem dias que poderia.
Tem dias que perderia.
Tem dias que queria sorrir. Só sorrir.
Tem dias que queria dizer. Tudo o que não digo. Diria que amo a todos. E os amaria realmente.
Tem dias que queria ser. Ser eu. Ser alguém. Alguém para alguém.
Tem dias que queria aceitar. Aceitar amar. Aceitar ser amada. Aceitar ser.
Tem dias que…não sei. Talvez não hajam dias.
Talvez sejam todos um pouco de outros. Talvez eu viva esperando o dia que possa. Talvez o dia nunca haverá.
Talvez nada disso há. Não dá pra explicar.

Au revoir.

 
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