Fui à uma assembléia estudantil de minha faculdade e vi apenas um reflexo do que acontece no mundo. Existem muitas opiniões convergentes, mas o fundo de muitas delas é pretensioso, pensado apenas nos próprios interesses. Nessa assembléia, chegamos à uma conclusão comum. A pesar deste resultado, fico me questionando até que ponto somos egoístas e não pensamos o quanto nossas atitudes influenciam a vida de inúmeras outras pessoas. Até que ponto insistimos em algo que é bem unica e exclusivamente nosso “achando” que é o bem de todos? Até que ponto procuramos nosso bem estar e ignoramos o fato de, ao simplesmente procurarmos só isso, fazemos mal a outros? E ai? E de que adianta lutar por uma igualdade quando se sai por ai pedindo dinheiro para um churrasco existindo tantas pessoas que usariam esses 50 ou 60 reais para alimentação? Ou para comprar uma roupa? Quem nós somos? O que somos? Até quando seremos egoístas e hipócritas? Digo isso no plural por que não questiono somente a atitude de muitas pessoas, questiono a minha atitude. Questiono o meu egoísmo.
Tem uma letra que é, de certa forma, clichê, mas acho uma ótima citação.
“Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos há fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”
O contexto histórico dessa música era muito específico, mas acho que vale o pensamento. Somos todos iguais, braços dados ou não. Ninguém é mais que quem quer que seja. Enquanto ficarmos todos esperando, nada mudará, nada mudará em minha vida, nada mudará em meu bairro, em minha faculdade… Enquanto não olharmos para o lado, enquanto não dermos os braços para seguir em frente, as coisas permanecerão como estão. Qual será a melhor posição? Eu não sei dizer… Só posso garantir que o egoísmo tende a impedir qualquer transformação.
Shalom.

